quinta-feira, 7 de junho de 2012

Primeiro lugar em ... conhecimento

     No meu trabalho os funcionários concursados disputam como leões famintos o dinheiro dos cargos em comissão.  Um deles, do alto da sua remuneração adicional dizia pérolas que vale reproduzir. Ele sempre trabalhava horas a mais em vez de treinar um colega para dividir o serviço.  Quando ele tirava seus dez dias quebradinhos de férias, a despeito do princípio da continuidade do serviço público, interrompia-se a atividade. Naqueles dez dias apareciam um ou no máximo dois casos inadiáveis, então a tal diretora resolvia, dava ordens explicadinhas a um dos funcionários mas só para aquele caso. O tal funcionário era insubstituível e sempre dizia que entre um mal e um outro mal maior ninguém escolheria o maior.
      O que eu aprendi lá, então, se não se aprendia a servir ao público?  Bom, acho que a maior lição que eu aprendi foi como impedir a ascensão.  Valia tudo: quebrar computador, esconder o material de trabalho, deixar o funcionário de castigo, incomunicável  e sem nenhuma tarefa para realizar, insinuar que quem conversasse com o tal funcionário perderia a verba do cargo em comissão ou a bolsa de estagiário, escrever no quadro de avisos com letra minúscula o nome do funcionário, oferecer a funcionária solteira a todos os homens como se ela fosse uma escrava que devesse ter um senhor, pisar no pé, acumular 20 dias de serviço braçal para ser feito no retorno das férias, escrever no prontuário de um servidor altamente concursado que ele deve é ideal para trabalhos que não requeiram inteligência, depreciar a comemoração do aniversário. É claro que metade da tortura  ( que até parece não ser crime ) não é possível lembrar nesse instante.
        Também aprendi que a  principal aliada dessas práticas é a preguiça racial, a preguiça em relação a ações afirmativas.  O grupo acredita que é assim, que deve ser assim. Que existe gente superior, que existe uma etnia superior. Se a gente dá poder a essa pessoa tem que ficar explicando e explicar dá muita ... preguiça.  Quando conheci a tal diretora sequer pensei na palavra racismo. Um ano depois a ouço se justificar pelos insultos e pelos gritos: meu pai era alemão. Ela não disse que é um povo racista, só insinuou, quem acaba interpretando é o ouvinte. Algumas pessoas acham uma negra velha alguém bem fora  da estatística que traça o perfil dos concursados. Por pelo menos duas vezes nesse trabalho um funcionário terceirizado que já convivia comigo há um bom tempo me perguntou se eu era igual  aos outros concursados.
          Estou tendo um reforço de aprendizagem com a tal japa gorda, sem peitos e dos dentes pretos. Eu também tinha aprendido que mais do que prejudicar uma pessoa você deve demonstrar ostensivamente que está causando mal. Só assim cria-se um conflito. Agressões só prejudicam, já oscConflitos têm poder.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

paradoxo da felicidade na solidão

              O Marido da Cabeleireira contava a estória de um paradigma.
              Sou tão feliz com você que quero morrer agora, no ápice. 
              Mas um paradigma sem nenhuma utilidade. 
              O paradigma tem que ser morto pelo novo paradigma. Perdeu-se uma boa vida e a troco de nada. Se a nossa querida cabeleireira soubesse se reinventar criaria um novo paradigma de felicidade a partir da própria vida. Criou um monte de saudades, de boa lembrança, enfim, um mero estado emocional que qualquer retrato de parede do mais viralata poderia construir.
              Mas deixou-nos a lição de que reinventar é que é  viver. 

Agora tudo dá certo

        Posso te dar um  conselho?   Aprenda linguagens de programação. Mas aprenda bem certinho. Você escreve, bota numa maquininha que corrige a fundo os erros. Essa maquininha vomita umas instruções que fazem tudo o que você manda. Você até vai parecer aquele cara lá que falava faça-se tal, e aparecia o tal do tal, sem bugs.
           Eh, só um probleminha. Em sete dias mal dá pra digitar com eficácia umas poucas linhas

terça-feira, 5 de junho de 2012

Domínio

     Continuo usando a palavra escopo sem nunca a ter consultado num bom dicionário.

     Adoro negar-te o que está fora do escopo anteriormente contratado.  Cozinho mas não cuido da higiene quando o escopo é matar a fome. Estudo mas não aprendo quando o escopo é concluir o curso. Compro mas não uso porque o escopo é ter. Vendo sem entregar porque o escopo é ganhar dinheiro. Escrevo sem nexo porque o escopo é escrever.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Estou carente de toda a gente.

           
            Só olhar para aquele seu cabelo vermelho e lisinho me traz a maravilha da criação. O cheiro do teu perfume resgata o poder da transformação. Quando não me lembro te pergunto, a inteligência coletiva nos salva. A sua barriguinha agradeço, é a generosidade de se doar à causa de trazer ao mundo mais um colaborador.    A tua beleza conforta a alma. Riso faz rir. Obrigada por me aquecer no metrô lotado. Hoje eu não teria sobrevivido sem aquele chocolate quente tão saboroso que me serviste de manhã ( ainda que me tomando um bom dinheiro, seu travesti! ). Que seria do meu carro sem teus consertos?  Do meu filhinho sem as tuas obturações?  
           Preciso de você para existir porque sem você eu não existiria.  E obrigada corretor ortográfico, sem você eu perderia meu tempo com um texto que não se entenderia.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

playing tricks behind me

     Me lembra aquele filme de quando eu era criança. O personagem da Meryl Streep, escritora,  deveria cultivar só os bons pensamentos, cercar-se de champanhe, aromas, banhos relaxantes ...  de repente a esposa traída fez com que as obras transpirassem mesquinharias: ressentimentos, injustiças, desejos de vingança.  Morria a lítera pura. 

     Só uma maluca de pedra acharia que está sofrendo um nível de chantagem tão alto a ponto de ter sido sucessivamente ameaçada. Te digo que o crime é uma fraternidade de regras rígidas. Ontem fui a uma festa com  amigas. O carro nem era meu mas eu estava com medo de, justo num dia de festa o carro ter sido roubado e medo de  uma espera de longas horas na delegacia.  Quando meu filho sai de casa e demora prá voltar todos já acham patológico não sentir medo, coisa de mãe dissociativa. Temos  medo em todos os outros instantes da nossa vida e nem nos damos conta.

     Querem saber se minha colega de escola ainda está me prejudicando? Resposta: sim, e muito.  Porque branca e de " boa família " faz os outros alunos imaginarem que há  no meu passado um grande segredo sujo, sem merecer ninguém seria assim tão publicamente agredido.  Desconfiança, insegurança, constrangimento. Minha imagem está associada a esse vento gelado, que só não é bem mais gelado porque vivo evitando o contato. Impossível evitar, faz questão de estar com minhas amigas ou em posições nas quais vai ter algum tipo de contato visual comigo.   Meeeedo.  Tenho vontade de oferecer um bom dinheiro sujo para ela me deixar em paz. Dinheiro limpo que ela poderia ter ganho ajudando uma colega de escola que fracassou ao tentar conciliar o conteúdo do Curso com as muitas horas diárias de trabalho. Ajudar como o César ajudou, sem nada pedir em troca e sem ostentação. Mas o César é o César, também conhecido como aquele que não quer se sujar.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Só foi amigo prá poder rir das fotos

     Tem gente que é incoerente, faz de tudo pra parecer mais jovem mas na quando chega no transporte público  senta no banco do idoso e finge que está dormindo como um idoso cansado. Depois, levanta do banco e vai ser jovem novamente.   Talvez seja vantajoso dissimular. O único problema de dissimular é confundir-se nos instantes que exigem raciocínio rápido.
     Nunca liguei muito para ser mulher. Palavras como   poeta, estudante ... nunca enxerguei como masculinas, nunca me ofenderia se me chamassem de presidente ou se comentassem sobre o escritor de algum meu texto. No máximo as via como uma denominação de um profissional, uma coincidência com a  palavra de gênero masculino. No máximo eu me orgulhava de ter no meu guarda roupas somente duas peças homossexuais e, ainda assim, compradas numa emergência de mudança abrupta de temperatura  aliada à falta de dinheiro para escolher uma peça própria.  Minha inquietação - embora não tivesse relação nenhuma com o fato - coincidiu com a época em que  vi aquelas imagens do Ary Fontoura vestido de velhinha pobre.  Vê-lo dissipou-me a inquietação.  Existe cheiro de mulher. Maciez de mulher. Voz de mulher. Dor de mulher. Indignação de mulher.   Por sorte converge-se para o sofisticado visual de mulher. Por azar converge-se para os defeitos metaTPMicos associados à mulher, os que os sensacionalistas exploram, difundem e  sacramentam.
      Algo me transformou numa metafêmea. Sempre me sentira  mulher demais para ainda precisar de colares, de maquiagem ou tintas no cabelo. Nunca imaginara que uma experiência traumática  me mulherizaria ainda mais.
      E é nesse, nesse exato momento, que me afrontam as más mulheres. as mulheres que se valem desse padrão de estereótipos para molestarem outras mulheres. As que agridem, ferem, brigam, dissimulam   ... porque  mulher é assim mesmo.  Que desculpa mais esfarrapada para ganhar a vantagem  de poder ser assim mesmo.  Por falar nisso, amanhã vou publicar os bilhetinhos que já há mais de um mês mando para uma dessas tais mulheres.   Só não quero pronunciar o nome dela,  já muita dor me trouxeram  a Flávia e a Amanda..