quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cause today I swear I'm not doing anything

           Carta de uma criança que morreu. Morreu de vergonha ao saber que foram divulgadas questões de um exame que era fundamental para o progresso do país e para a formação dos jovens cidadãos. Lá deveria encontrar todos os envolvidos, mortos, também, de vergonha. 
       Os adultos só nos ensinam a ganhar. Por isso eu tenho certeza que nenhum deles, nem mesmo os meus pais, irá à delegacia ou ao Ministério Público dizer que tem certeza de que algo desonesto e ilegal está em curso.   Se os adultos nos ensinam a não fazer nada devemos obedecê-los, eles são experientes e inteligentes. Então, beijo tchau fui. Vou para um lugar onde nunca, nunca se faz nada o tempo todo a respeito de nada. E agora nunca mais alguém precisará fazer qualquer coisa, ainda que mínima, por mim. Continuem não fazendo nada, a existência é curta, após uns poucos ( que enganam, parecem  muitos ) anos na Terra vai-se para um outro lugar onde não se faz nada. É melhor chegar lá bem treinado.

sábado, 29 de outubro de 2011

how many times, how many times

Ontem assisti um post no you tube que tinha essa música e, como imagens, filmagens nítidas da guerra. Quantas vezes durante uma existência temos q ver gente desperdiçando a existência? Dirigindo bêbado e matando em acidentes, afirmando sua ideologia pela morte, adotando atitudes que poem em risco a vida dos outros, deixando outros com falhas ou com deficiências eternas, destruindo cada célula com drogas e com excesso de alimentos?
Quantas vezes mais?  Quem vive mal deveria fazer uma excursão de uns dias pela vida dos q vivem bem. Saber que existe uma vida boa. Uma vida onde não se corre riscos. Na qual ninguém já acorda  pensando no perigo que está lá fora  ( descontando aqueles cujos martírios estão no próprio lar ). Uma vida onde ninguém se arruina, mas sim cresce, evolui, aprende, ganha, admira, dá, recebe, compartilha, eleva, distribui, realiza, engrandece, melhora, coopera, descobre, ensina, ri, favorece, ganha, divide.  Mas talvez a fórmula esteja certa. Se o próximo crescer será  uma pessoa melhor. Melhor que eu. Pode tomar minha oportunidade, oportunidade em toda área. 
É, tá certo. Melhor deixar o outro prá baixo, pisar na cabeça dele, se assim não for ele crescerá diante de mim.
E a oportunidade que ele, crescendo, poderia gerar prá mim?


Deixa prá lá, do jeito que tá não me complica as idéias.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Luz no fim do túnel das drogas

     Recebi uma mensagem de um projeto denominado Compaixão e Cidadania. Pela primeira vez acredito que é possível reverter o consumo e a produção das drogas ilícitas.  
      Os professores de Geografia tem trabalho para concretizar algo tão incompreensível como as dimensões continentais do nosso país, essa variedade de climas, de vegetação, de culturas ... Seria excesso de sorte se não rolasse um efeito colateral. Estar com dimensões continentais aqui na América do Sul traz grande área de contato com os maiores produtores mundiais de cocaína e de maconha. Se a nossa filha adolescente vive de sainha no baile funk ela não vai virar médica. Se vivemos rodeados por drogas não seremos imunes à sua comercialização. 
      " Praga capitalista " . Resolver o problema das drogas só exige q se derrube um dos pilares básicos do capitalismo: o trabalho com a produção a partir  da terra   tem remuneração menor do que a de outras produções. 
    Acreditem q é só, só, só esse descaso com o produtor rural  o faz se dedicar ao cultivo das drogas. Já vi neguinho dar a volta na Lua quando vai explicar como se combateria a circulação das drogas pelo mundo, chamando o consumidor final e o intermediário de tudo quanto é adjetivo e lambuzando com tudo quanto é advérbio, mobilizando equipes para escrever a teoria da libertação. E o produtor? Não tem graça atacá-lo, só lhe cabe uma palavra: descamisado. Se quiser usar desassistido  até pode, mas são sinônimas.   Imagine ficar todo dia repetindo a mesma teoria: proteja-se o descamisado, proteja-se o descamisado, proteja-se o descamisado ... não teria audiência que não mudasse de canal. É melhor que haja droga. A droga entorpece o ouvinte. 

domingo, 11 de setembro de 2011

     Com tantos rótulos até fica difícil carregar o próprio corpo, os rótulos não têm por objetivo te fazer flutuar. E o pior, com esse corpanzil de quilos v ainda se dá ao luxo de mais um esforço - lê. O tal corpo fica desorientado, qual caminho estou seguindo, qual caminho acham q devo seguir.
      Não somos o q acham q somos..  Somos o que fazemos. Mas todos nós somos um pouco de todos nós. Porque o que fazemos vem de se observar atentamente o que é feito e, mais ainda, de descobrir como é feito. Se todos fazem, farei um pouco de todos. Se faço, muitos farão um pouco de mim.
     Até há quem ache que faço só. Existe quem ache que faz só. Quem ache que que tudo faz, que nada é feito. Passa-se a existência fazendo. Vou fazer o quê? Bom, bem, isso não, isso não consigo ... vou colar rótulos.  
      Rótulo de geração X, Y ou Z não é consensual. Usa porque colaram. Quem colou está longe de ser inovador. Mais um q leu no Google: nascidos dentro de tal período, tal outro período  ou no  último período que até agora foi inventado.
     Diz-se da geração tal que não aposta no futuro, é do presente, o presente é já. A letra de The Only Exception diz o contrário. A excepcional afinação de Hayley Williams vai desfiando a mesma  estória tantas vezes lida de quem já percebeu que o futuro previsto ou previsível trai. Se um futuro cego guiar uma vida cega ambos cairão no abismo.
     Então me diz, qual dentre as três gerações tem menos vivência  de modo a entregar seu destino ao  que virá?

domingo, 28 de agosto de 2011

Wonderful Life? Só se for para o Hurts.

     Minha pobre filhinha está sendo molestada na escola. 
     Depois de tudo o que passei quando criança acreditei q estivéssemos vivendo num novo tempo. É a soma de todo o esforço humano que nos trouxe o conforto material de q hoje se desfruta. Vivi num tempo onde não tínhamos objetos, onde não existia a crise do lixo porque a demanda por objetos não nos deixava descartar nenhum. Usava-se o vestido da avó. Trabalhávamos anos para comprar os móveis e utensílios que não conseguíamos obter por herança dos antepassados. Quantos, há vinte e cinco anos atrás, imaginavam que teriam uma cafeteira, uma máquina de fabricar pão, revistas, pendrives, um vaporetto, uma impressora, um scanner? Quem imaginava ter tanta fartura a ponto de ter q fazer regime? Qual psiquiatra antecipou q tantas mercadorias poderiam levar ao comportamento de compras compulsivas? Todo o conforto veio da colaboração de todos, todos os seres humanos, brancos, negros, estrangeiros, índios, mulheres, desbravadores, prostitutas, homens, jovens, crianças   dando sua parcela na evolução. Valeu  carregar os tijolos, aprender idiomas, ensinar portugês, escrever livros, cavar buracos nos solo, carregar comida prá locais pouco abastecidos, apertar parafusos ...
     Observo com tristeza que alguns querem só para sí e para quem lhes interessa todo o conforto. Querem limpeza étnica, excluir da terra grupos não merecem prazer, no máximo merecem, concedam-me a licença poética, muita dor. Porque dor é dor, a intensidade é  mero advérbio para desejar, não muda nada. A agressão instabiliza as águas que nasceram calmas. Quanto mais instáveis, mais diferenciadas. Quanto mais diferenciadas, mais alvo para novas agressões.

domingo, 14 de agosto de 2011

não é criança e não tem esperança

      Pensei em criar uma comunidade adote um fodido. Tá rindo? Não tô falando de animais abandonados e nem  de miseráveis e de famintos. Tô falando de gente que nunca te quer, nunca te quis, e de repente, não mais que de repente vem pedir solidariedade, seja com $, seja com companhia, seja na forma de ajudar nas tarefas que não consegue realizar, seja mesmo dizendo " sim, você tem toda razão ". Será q vc tem tempo? Será q quer gastar seus minutinhos de hoje ou os seus anos vivendo a vida de outrem? Solidariedade é prá quem precisa, às vezes a gente desperdiça. Solidariedade é prá quem merece, de outra forma deixa mal acostumado. Solidariedade é coisa que se dê, não que se peça.
     Ah, então inverti. A comunidade tem que chamar não faça  trabalho de privada. Não acolha merda. Você não tem abastecimento e encanamento suficientes para transformá-la em água limpinha, clarinha e até  cheirosa.

ninguém me ama, ninguém me procura

      Meu blog não tem views. Achei que todos fossem fazer como fizeram com aquela blogueira de Portugal que contava os infortúnios da condição de companheira, de esposa, de mãe, de dona de casa ... ela ficou de licença médica. Os leitores escreviam desesperados pela próxima postagem. Acho que minha ausência preencheu a lacuna de algo mais para acompanhar. Já não chega tudo q meus leitores têm para acompanhar na vida, agora teriam que acompanhar também as minhas divagações.  Bom, já que vocês não perguntaram porque não estou postando, vou responder. A frieza e a indiferença não me abatem. 
     Fiquei fascinada por um novo sistema de transporte vertical de um prédio da Av. Paulista. Uma ascensorista eletrônica, antes de subir no elevador o usuário digita qual uso ele vai fazer do transporte e o sistema informatizado agenda as tarefas a realizar e as agrupa de modo a otimizar o trabalho das máquinas transportadoras e consequentemente a diminuir o tempo de espera. Essa pequena invenção veio da crença de alguém que acredita que pode melhorar a vida do próximo através da otimização das tarefas. Alguém que, como eu, acredita. Por acreditar tenho dedicado mais tempo à aprendizagem tradicional, me transportando até o local de estudos, seguindo os horários dos professores ( eles têm muito a ensinar, acredite ) e dedicando muitos finais de semana ao trabalho  extra classe. Não tem sobrado tempo para todas as outras coisas, incluindo você, meu leitor q não me lê.  Mas eu não te largarei. Sei que eu nunca fui o amor de vocês mas sigo como a Ana Carolina " rio disfarçando a dor/ que sinto ao te ver passar/ na rua com seu novo amor "